Quem aprova o quê: pagamentos na imobiliária sem travar a diretoria
Quando todo pagamento passa pela diretoria, ela vira carimbadora e o financeiro espera. Como separar as aprovações por tipo e tratar o que não bate sem parar o fechamento.
Em muitas imobiliárias, a diretoria lança, confere e libera cada pagamento. Funciona enquanto a carteira é pequena. Quando cresce, a diretoria passa o dia aprovando repasse, conta de condomínio e comissão, e o financeiro fica parado esperando.
O problema raramente é a pessoa. É a regra, que nunca foi escrita.
O caminho de um pagamento
Um fluxo de pagamentos organizado costuma seguir cinco passos:
- lançamento no sistema de gestão;
- emissão da ordem de pagamento;
- inserção no banco;
- aprovação;
- conciliação pelo arquivo de retorno do banco.
O gargalo quase sempre está no passo 4: tudo depende da mesma pessoa.
Alçadas: quem aprova cada tipo de pagamento
A saída é separar os pagamentos por tipo e definir quem aprova cada um:
- Recorrentes e previstos, como repasses a proprietários, contas fixas dos imóveis e comissões já fechadas: aprovação do próprio financeiro. Eles já foram aprovados na origem, pelo contrato.
- Até um teto combinado, como manutenção de rotina e pequenos reparos: aprovação do gestor ou coordenador.
- Acima do teto, fora do padrão ou sem contrato, como reparo estrutural caro, acordo judicial ou fornecedor novo: aprovação da diretoria.
- Sempre com a diretoria, qualquer que seja o valor: pagamentos a partes relacionadas, devoluções a inquilinos e tudo o que fugir do padrão. É uma regra de controle contra erro e fraude.
Com isso, a diretoria olha só as exceções e os valores altos. Ela confere e aprova, em vez de executar.
E quando algo não bate?
Uma divergência pequena, como um valor sem identificação no extrato, não pode travar o fechamento do que está certo. O tratamento que costumamos desenhar tem cinco passos:
- Detecção: a diferença aparece na conciliação.
- Separação: o item vai para uma fila de pendências, longe do fechamento.
- Um responsável: uma pessoa, e não a diretoria, investiga com o banco, o proprietário ou a seguradora.
- Prazo: cada pendência tem prazo para ser resolvida, por exemplo 48 horas. O que passa disso sobe para o gestor.
- Baixa e registro: resolvido, sai da fila, e a causa fica anotada. Exceção que se repete é sinal de processo a corrigir.
Hora marcada para conciliar. Colocar a conferência do retorno bancário num horário fixo, por exemplo todo dia às 9h, faz a pendência aparecer cedo e ser resolvida no mesmo dia.
Por onde começar
Liste os pagamentos de um mês, agrupe por tipo e anote quem aprovou cada um. A distância entre quem aprova hoje e quem deveria aprovar mostra onde está o gargalo. Veja também como a CBB redesenha os processos da imobiliária.
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